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O Minitel se aposenta

A esta hora, a France Télécom deve ter desligado o último servidor Minitel que ainda estava online. O sistema de teletexto, que gerou diversos descendentes – incluindo o Videotexto brasileiro (particularmente o da então Telesp), é desligado depois de 30 anos de serviços prestados à França e, porque não dizer, ao mundo.

Como acabou o amor da França pelo Minitel, como um pequeno grupo de produtores de leite ainda depende do Minitel, o TELMI Pérminitel (um conceito de um computador voltado para o Minitel). E, claro, as lembranças de quem tem histórias do Minitel, ou mesmo do nosso Videotexto, para contar.

Um MSX que é… Terminal de Videotexto.

NTT_Captain-Multi-Station.1O NTT CAPTAIN é um microcomputador padrão MSX, fabricado sob encomenda para a companhia telefônica estatal japonesa, a NTT. CAPTAIN (em inglês, capitão) na verdade é a sigla Character And Pattern Telephone Access Information Network. A tradução livre é “Rede de Informação em Caracteres e Acesso Telefônico”. Nós conhecíamos no Brasil algo similar, que era o nosso Videotexto. Serviços semelhantes eram o RTPtexto português, ou o Minitel francês. Na prática, um sistema de BBS estatal.

Logo, a NTT encomendou à Mitsubishi que fizessem um MSX2 que funcionassem como dispositivos CAPTAIN. Esses micros foram chamados de Captain Multi Station (CMS) por volta de 1986, e custavam o equivalente a R$ 2025,00 (câmbio de hoje), vários aparelhos foram vendidos e entraram em circulação.

Há quem diga que o governo japonês ainda mantém o projeto CAPTAIN no ar, embora tenha certamente sido deixado de lado por conta da Internet. Segundo o MSXzeiro Alex Wulms, o chip FM-PAC era capaz de gerar os “tons CAPTAIN” para o telefone, o que reforça a ideia da escolha do MSX como padrão adotado para ser a base de um dispositivo CAPTAIN.

Por dentro

Tirando o Daniel Ravazzi, não conheço mais ninguém que tenha um NTT CAPTAIN Station à mão. Sim, o Ravazzi tem e levou a Jaú, onde tive o prazer de mexer com um. Falo melhor das minhas (parcas) impressões no final.

Por dentro o NTT CAPTAIN Station é um MSX2 com 192 Kb de RAM, com PSG. sem drives de disquete ou portas de cassete, Kanji ROM, modem embutido, teclado destacável e opcional, saídas RF, RCA e RGB, 2 slots para cartucho, 2 portas de joystick e controle remoto. Vamos às considerações:

  • 192 Kb de RAM? Bizarro, visto que MSXs tinham sempre múltiplos de 64 Kb, em geral (64/128/256/512 Kb), e não 2,5 vezes, como 192 Kb.
  • Cadê o FM-PAC? Bem, deve estar por lá, mas aí, só abrindo. Se topar com um integrado, como um MSX-Engine, aí lascou.
  • Sem drives de disquete ou portas de cassete… Só com interface externa de drive, ou IDE mesmo.
  • A Kanji ROM é fundamental, tem que estar por lá. Mas não é acessível por um CALL KANJI.
  • O modem não é acessível sendo MSX (CALL COMINI não funciona).
  • Teclado destacável… Coisa rara de se ver entre micros japoneses.
  • O controle remoto é algo que nenhum outro MSX teve.
  • Carcaça metálica, como os Philips NMS-8250, o que ocasiona maior peso. Sim, o dito cujo é pesado, 5,4 kg.

Minhas impressões são bem parcas, nada além de ter achado aquele o maior controle remoto que eu já vi na vida, e o teclado ser bem macio e agradável para a digitação.

Maiores informações vocês podem encontrar no (grande) artigo disponível no MSXResources, já traduzido para o nosso idioma, aqui de terra brasilis.