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Episódio 81 – Jogos de Corrida – Parte A

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Sobre o episódio

Adrenalina! Cheiro de gasolina! Sexta marcha! 300Km/h! Jogos retro de corrida!

Nesta parte do episódio

Muita velocidade nos anos 70 e 80 em arcades, videogames e computadores.

Ficha técnica:

  • Número do episódio: 81
  • Participantes: Ricardo, João, Cesar, Giovanni e Juan
  • Duração aproximada: 66 minutos
  • Músicas de fundo: Rally-X
  • Download em ZIP

URLs do podcast:

Não se esqueça de deixar seu comentário aí embaixo; afinal, seu comentário é o nosso salário. No entanto, caso você prefira, entre diretamente em contato conosco.

Impressos em formato digital para consulta.

  • O livro The Complete ZX-Spectrum ROM Disassembly, por Ian Logan e Linco O’Hara (parece nome de dupla de policiais) está disponível em PDF para download aqui.
  • Nosso chapa Edison Pires de Moraes anunciou que irá fazer uma nova versão do MSX Top Secret, a “bíblia” made in Brazil para entender o hardware desse nosso querido micro japonês. Deverá ser a versão 2+… De qualquer forma, as versões 1 e 2 estão disponíveis para download nesse site.
  • A quarta edição do zine ZX-Spectrum Gamer está disponível para download aqui.
  • E outro nosso chapa, o Felipe Sanches (o Juca) transcreveu todos os esquemáticos do video game Odyssey 1 para o KiCAD. Só ir e baixar.

[UPDATE] Nerd p0rn do dia: Odyssey (O orirrinállll!)

Que fique bem claro: não é aquilo que os brasileiros conhecem como Odyssey. É o antecessor dele, de 1972, que nem microprocessador tinha e estava mais para telejogo que para console como o conhecemos. Se bem que já usava cartuchos. [UPDATE] Falando nisso, o nosso leitor Carlos Bragatto nos mandou uma foto de placas de cartucho de Odyssey. Só melhora. [UPDATE*2] Mestre Jecel explica o funcionamento do circuito.

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Outra opinião: O Golpe do Micro Doméstico

Este artigo é uma tradução de The 8-bit Home Computer Bait and Switch, publicado no blog Nerdly Pleasures e postado aqui com permissão do autor.

No início dos anos 80, consoles de videogame e micros domésticos competiam entre si pelo bolso do consumidor. Os micros, particularmente os da Commodore, eram propagandeados como algo que serve para muito mais do que jogos (coisa que eles também faziam direitinho). O papai poderia gerenciar as finanças domésticas, a mamãe poderia ter um banco de receitas, e as crianças poderiam aprender com programas educacionais e digitar os trabalhos do colégio em um processador de texto. Assim os computadores domésticos eram apresentados ao consumidor nas prateleiras das lojas. A princípio, os mais amigáveis em termos de preço e capacidades eram o Atari 400 e (com alguma boa vontade) o 800, os Commodores VIC-20 e 64, o TI-99/4A e o TRS-80 Color Computer. Os da Apple, muito caros, eram populares entre hobistas, educadores e pequenos empresários. Os da IBM (ainda mais caros) eram comprados quase que exclusivamente por usuários corporativos e empresas de desenvolvimento de software.

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Pioneiros fazendo aniversário

E vocês achavam que a série “2012 das efemérides” ficaria restrita apenas às notícias do Retrocomputaria 😆

Em 27 de maio de 1972, o Odyssey foi lançado pela Magnavox, à época ainda uma empresa independente (a Philips só compraria a Magnavox em 1974). Para comemorar os 40 anos do pioneiro dos videogames, o incansável Benj Edwards abriu seu Odyssey e montou um slideshow fantástico. E ainda escaneou a capa do manual.

(A título de lembrança, o Odyssey vendido no Brasil é conhecido como Odyssey²)

20 anos e dois dias separam o lançamento do Magnavox Odyssey do lançamento do Apple Newton, e o ex-chefe de Benj Edwards, Harry Mc Cracken, comprou (em bom estado!) e testou um pioneiro dos PDAs (e smartphones etc).

Resenha: “1984: A Febre dos Videogames Continua”

Um dos primeiros posts deste Retrocomputaria Plus foi a resenha do livro “1983: O Ano dos Videogames no Brasil” e, como não poderia deixar de ser, entramos em modo de espera ansiosa quando o autor, Marcus Garrett, anunciou a continuação “1984: A Febre dos Videogames Continua” (Edição do Autor, 2012). Espera essa que, no meu caso, se tornou ainda mais angustiante quando o próprio Marcus me contactou para enviar um exemplar do livro. Este exemplar, autografado pelo autor, ficou à espera de um momento em que eu pudesse lê-lo por inteiro, sem interrupções, tal como fiz com o livro anterior. E foi assim que surgiu a resenha que vocês lerão agora.

Resumo tl;dr: uma continuação melhor que o original, por cobrir algumas lacunas do livro anterior.

Da parte técnica, o “1984” se parece muitíssimo com o “1983”: letras grandes, muitas ilustrações, destaques para reportagens e declarações da época, só que com mais páginas – “1984” tem pouco mais de 150 páginas, ao contrário das pouco mais de 100 de “1983”.

(Novamente, a observação: tempos esquisitos estes que vivemos, em que é necessário perder um bom pedaço de um capítulo dizendo que não há intenção de ferir direitos autorais de terceiros, quase eclipsando o esforço hercúleo de conversão de preços feita pelo autor)

O prefácio serve a dois objetivos: explicar as motivações para a continuação do livro anterior e anunciar a mudança da estrutura lógica do livro, com apenas um grande capítulo entremeando todas as histórias a serem contadas – com exceção de uma.

Este grande capítulo, chamado de “De janeiro a dezembro: a jornada ‘gamística’ de 1984” começa tapando a grande lacuna que achei no livro anterior, a falta de informações sobre a situação econômica do Brasil de 1984. As informações sobre a realidade econômica da época, certamente, ajudará os leitores a terem uma visão mais completa de determinadas decisões governamentais e/ou empresariais, no contexto dos dois livros.

Depois de tanta pedreira, o leitor é inundado com informações sobre o absoluto sucesso dos videogames no Brasil – números, repito, extraordinários no contexto do diminuto mercado consumidor brasileiro da primeira metade dos anos 80.

Saindo da economia, somos brindados com páginas deliciosas sobre o ecossistema criado em torno dos videogames no Brasil: as promoções envolvendo videogames de empresas com produtos voltados para crianças e adolescentes, os campeonatos de videogames patrocinados por lojas de departamento (para os mais novos: sim, havia um tempo em que existiam lojas de departamento no Brasil), os clubes e locadoras de videogames, empreendimentos essenciais na difusão dos videogames e na criação de uma geração de jogadores e que, no final, acabaram “determinando” o sucesso e/ou o fracasso comercial das linhas de videogames no Brasil. Enfim, tem até uma capa da MAD in Brazil clássica sobre videogames.

E aí entramos no cerne do capítulo, as empresas. Polyvox, Philips, Dynacom, Milmar, Microdigital, CCE, Digiplay/Sharp, Dismac, Splice e outras, com seus lançamentos, estratégias de mercado e idas e vindas num mercado instável e aberto. Algumas observações:

  • A maioria das empresas citadas produziram clones de Atari; é interessante observar que Marcus se preocupou em mostrar as inovações de cada clone, o que os tiravam da mesmice (o Dactar 007 da Milmar, o botão de PAUSE e a misteriosa porta de expansão do Onyx Júnior).
  • Na parte de Digiplay, uma passagem sobre o que era lidar com a CACEX, órgão governamental que controlava as importações, e como se criavam números para manter o FMI feliz.
  • Na parte da Splice, uma aula – ministrada por um ex-funcionário da empresa – de como uma empresa que era da área de telefonia e, portanto, não conhecia os meandros do mercado de consumo eletrônico destruiu as chances do SpliceVision no mercado com decisões estapafúrdias de, por exemplo, não aceitar os módulos de expansão do Colecovision.
  • E, claro, o que não se materializou: diversos clones de Atari anunciados mas nunca postos à venda; The Voice, o sintetizador de voz do Odyssey, fabricado pela Dynacom para a Philips cancelado pelo alto custo; o Onyx, o clone de Coleco da Microdigital que também foi cancelado pelo alto custo da linha.

Voltamos às proximidades da economia, e por um bom motivo: o Natal de 1984, em que a demanda pelos videogames excedeu em muito a oferta dos fabricantes. Números incríveis: 250 mil unidades vendidas no Natal (que, no Brasil de 1984, era sensacional); cálculos de mais de 50% de aumento nas vendas em relação ao Natal de 1983; e por aí vai.

Depois deste breve interregno econômico, Marcus se dedicou aos periféricos, e começou com os famosos teclados para Atari; para quem não se lembra, os teclados para Atari eram teclados que, ligados ao VCS por um cartucho, forneciam RAM e ROM para programação e execução de pequenos programas e de música. Não era possível nada extraordinário, até pelas limitações do próprio Atari 2600 (a começar pelo 6507); no entanto, o conjunto videogame+teclado era bem mais barato que um computador “de verdade” e não era tão mais fraco que os computadores pessoais vendidos no Brasil em 1984. Imagino que muita gente começou suas aventuras na computação com estes teclados de Atari – aliás, se você for um deles, se apresente nos comentários 🙂

Outro periférico extremamente popular nos Atari brasileiros, e que ganhou um espaço próprio, foi a interface serial para carregamento de jogos em cassete. A ideia é simples (um cartucho Atari que pudesse ser ligado a um toca-fitas normal e que permitisse o carregamento de jogos gravados em cassete num formato predeterminado) e o custo é baixo, particularmente dos cassetes com jogos, que chegavam a ser 20% do preço de um cartucho ‘normal’; não por acaso, foram um grande sucesso.

E, na minha opinião, a melhor parte de todo o livro: a citação ao Telegame. O Telegame era um serviço da Embracom Eletrônica, de tecnologia nacional, de carregamento de jogos de Atari por telefone: você inseria o cartucho, fazia todas as ligações necessárias entre o cartucho e o telefone, ligava o Atari, ligava para a central do Telegame, pedia o jogo para a atendente, colocava o cartucho no modo REC, esperava pelo download (4K a, sei lá, 300bps) e pelo jogo ser gravado na memória do cartucho, colocava o cartucho em modo TEL quando acabasse, jogava até cansar e, quando quisesse jogar um jogo novo, bastava desligar e religar o Atari. Absolutamente engenhoso e, como vocês puderam observar, uma espécie de “trisavô” do Steam 🙂

(Lembrando que o Telegame é de 1985/1986, mas acabou sendo citado neste livro por ser, talvez, o periférico mais inusitado lançado para Atari no Brasil)

Neste momento, vamos ao segundo capítulo, a história não contada no primeiro capítulo: a história do quase lendário cartucho da Turma da Mônica, para Atari e Odyssey, que nunca saiu. Apoiado em uma entrevista com quem quase trabalhou no projeto, pudemos ter uma visão de como não havia como conciliar os desejos do Maurício de Sousa e a tecnologia da época.

O último capítulo do livro é o posfácio, que já começa cortando os corações de todos, com o Marcus anunciando que não escreverá sobre os anos posteriores; por causa disso, este capítulo se dedicou a narrar o fim da era dos videogames de primeira geração no Brasil, atacados tanto pelos diversos lançamentos de computadores pessoais de 1985 (MSX, TK 90X/95, CP-400 Color) quanto pelos videogames de segunda geração, surgidos da cinza do crash dos videogames de 1984. Isto não impediu Marcus de observar que, até o início dos anos 90, ainda era possível comprar Ataris no Brasil.

Para terminar, as minhas observações sobre o livro:

  • Marcus, ao falar do crash dos videogames de 1984, lá no início do livro, não citou Jack Tramiel – figura essencial para entender porque se iniciou a guerra de preços entre computadores pessoais que gerou o crash.
  • Marcus não notou uma fina ironia das coisas: a Digiplay, depois de abandonar o Intellivision, virou Epcom, que, com o Hotbit, ajudou a “virar o jogo” em 1985/1986.

No final, uma obra, em geral, ainda mais fantástica que sua antecessora. E que, também, deve ser item obrigatório em qualquer biblioteca de interessados em videogames clássicos e, porque não, retrocomputação.

Os interessados em comprar o livro podem visitar o Memória do Videogame, onde o Marcus, além da lojinha, está com material bem bacana (p.ex. os comerciais da Polyvox de lançamento do Atari no Brasil.)

(Mais uma vez, agradecimentos eternos ao Marcus Garrett pelo livro E pelo autógrafo. Este exemplar tem um lugar especial na minha biblioteca.)

“1984: A Febre dos Videogames Continua”

Falamos em alguns episódios nossos sobre o livro “1983: O Ano Dos Videogames no Brasil”, de autoria do Marcus Garrett, e inclusive o Cesar Cardoso fez uma resenha sobre esse livro aqui no Retrocomputaria Plus, logo no início desse blog.

Pois então, o próprio Garrett mandou-nos um email anunciando o lançamento da continuação, intitulada “1984: A Febre dos Videogames Continua”. Você pode ler melhor a respeito no post que o Orákio colocou no GagaGames, mas já adiantamos que o livro, como o nome indica, será uma continuação onde o anterior parou: Ele tratará de várias coisas que passaram por alto no primeiro livro, como as negociações para o lançamento de um jogo da Turma da Mônica. Sim, é imperdível, e eu vou comprar um. O Marcus Garrett inclusive soube que iríamos noticiar o anúncio do livro, e ele mesmo nos remeteu uma cópia do prefácio do livro. Está magnífico, mas não, não podemos por o PDF aqui para download (a pedido do autor).

A ideia é que o livro seja lançado por volta do dia 20 de março de 2012, e deve ter o mesmo custo e tamanho que o seu antecessor. É possível que o nosso amigo Moacyr Alves (Jogo Justoque entrevistamos no episódio 15 sobre coleções, promova o lançamento no Game World 2012, no stand da AciGames.

O processo normal de vendas deverá ser da mesma forma que o anterior: Mande um email para o Garrett em euquero1983@gmail.com dizendo que quer o livro e passando seu endereço a ele. Ou então, participando da promoção que faremos aqui no Retrocomputaria, já que o próprio autor disse-nos que enviará 2 exemplares do livro a serem sorteados entre os ouvintes/leitores do nosso podcast/blog. Aguardem e confiem.