Arquivo mensais:janeiro 2012

Mais um projeto de “MSX 3” na praça.

Depois do Projeto Omega, do MMSX, do Projeto Júpiter, do CIEL 3++, o MSX-on-a-chip montado no Brasil e de tantos outros projetos, conhecidos e desconhecidos… Eis que surge mais um projeto para criar uma nova arquitetura, 100% compatível com o padrão MSX, mas ampliando as características desse micro japonês. E este é o Project Orbit, feito pelo WORP3 (também conhecido como Tjeerd Veenstra), o mesmo responsável pelo MIDI-PAC. citado em episódios anteriores.

Vamos à ficha técnica:

  • CPU compatível a nível binário com o Z80 e o R800, com arquitetura 32 bits e uso de metodologia pipeline.
  • No mínimo 2 Gbytes de memória RAM, e largura do barramento de 32 bits.
  • Chip de vídeo (VDP) de alto desempenho, poderoso o bastante para gerar imagens em formato HDTV (1920×1080). Ele terá sua própria memória de vídeo e um subconjunto para garantir compatibilidade com o V9958.
  • Processador de áudio on-board.
  • O gabinete é do tipo slim, 19 polegadas, e o dito cujo pode ser preso por suportes.
  • Lendo os comentários, vemos que a princípio, apenas saídas MIDI (MIDI-out) na placa protótipo e 4 portas USB (suporte a USB-MIDI está planejado).

Até agora, o que temos de concreto (?!) é o design do gabinete, que vocês vêem aí em cima. O projeto foi oficialmente apresentado no encontro de Nijmegen, Holanda, e em breve um site dedicado ao projeto estará disponível.

Opinião do editor: Mais um projeto que vai virar vapor. As especificações estão vagas demais. O que penso é que, se a arquitetura é compatível, mas é mais poderosa, deverá ser um ARM com um chip para emulação a nível de hardware. Mas os chips de áudio e vídeo estão vagos demais, e o gabinete, que é o que temos de mais concreto (novamente – ?!) é apenas simpático. Parece até um boato espalhado via email, só falta ter uma página desmistificando-o no QuatroCantos. A favor tem a pessoa que está por trás (e que provou ser competente, com o MIDI-PAC), e o benefício da dúvida. E só. Sinceramente, não sei porque não investir no MSX-on-a-chip, no seu código FPGA, e seguir nessa direção, conforme falamos no episódio 8. Agora… Duvidamos que esse projeto venha à luz, porque se vier… Iremos comprar. Afinal, é MSX.

Quinn Dunki e a construção de Veronica

Citamos o Veronica, projeto de Quinn Dunki de construção de um computador em torno do 6502, e desde então Quinn vai hackeando para montar seu computador, sempre documentando com muitos vídeos e fotos – para alegria nossa, do Hack a Day e de todo mundo que gosta do assunto.

Entre os hacks, se incluem também ferramentas como este programador de EEPROM, feito totalmente “em casa” e que trouxe interessantíssimas lições sobre debugging.

RSS para o podcast

Adicionei um link para vocês assinarem o feed RSS do Retrocomputaria Plus. Por alguma razão a forma padrão do WordPress de usar o “http://<URL do Blog blá-blá-blá>/feed” não está funcionando corretamente nos navegadores e, ao contrário do arquivo XML, exibem a página inicial. Minha suspeita é de que o formato compacto utilizado por nós nas URL possa estar enlouquecendo o PHP Rewrite (que já é naturalmente meio maluco).

De volta ao assunto, para assinar o feed  basta clicar aí no ícone com o disquete de 5,25″ (e eu prometo fazer um ícone mais legal no final de semana) e tudo funcionará do jeito que se espera.

Agora de volta a nossa programação normal…

Guia d’O Quinto Elemento para os Apple ][

Conforme citado, e prometido, na parte C do Episódio 19 do Retrocomputaria aqui está o Guia d’O Quinto Elemento para os Apple ][ (na falta de um nome melhor) em versão estendida. Ele foi montado a partir de informações da Wikipedia, de outras pescadas aqui e ali e de algumas coisas de cabeça mesmo. Meu objetivo não foi o de detalha as especificações técnicas de cada modelo mas, sempre que for necessário, incluir algo. Vale lembrar que os Apple II não tiveram mudanças radicais no hardware, todos usam o 6502, tem modos texto de 40×24 e gráfico de 280×192 e rodam (quase) todos os sistemas operacionais, aplicações e jogos. As diferenças entre eles são sutis.

Algumas observações:

(i) Os computadores Apple I, II e III constituem equipamentos totalmente diferentes entre si. São projetos de hardware distintos, apesar de guardarem, além do nome, certas características em comum.

(ii) Não vou falar do Apple IIGS agora, apesar dele ter toda a parafernália para que qualquer programa acredite que ele seja um Apple IIe.

E agora o que interessa e boa leitura!

Apple ][

É o computador original! Foi lançado em 1977 e já vinha naquela aparência que identifica de imediato um Apple II. Assim como seu antecessor, o Apple I, tinha com um 6502 rodando a 1,023MHz, 4Kb de RAM e o Integer BASIC, escrito pelo próprio Wozniac, embutido.

Apple ][ Plus

A primeira revisão do II, de 1979, inicialmente com 16Kb de RAM mas podendo chegar até 64Kb; o processador e frequência de operação continuaram os mesmos e a mudança mais considerável foi a substituição do Integer BASIC pelo Applesoft BASIC (o mesmo Microsoft BASIC para 6502 mas levemente travestido para se parecer com o Interger). Também teve versões adaptadas para a venda nos mercados europeu/australiano (O “Europlus” operando a 50Hz) e japonês (o “J-Plus” com fonogramas japoneses na tabela de caracteres). O II+ foi justamente o modelo mais copiado clonado de todos, só aqui no Brasil dá para citar o MC-4000 Exato da CCE, APII da Unitron, Apple II Plus da Milmar (sério!), Elppa II Plus da Victor do Brasil (oirés!) mas a lista é bem maior (quase 30!).

Apple //e

Com o fracasso do Apple III (o qual Woz dedica 4 páginas da sua autobiografia para… Falar mal), os engenheiros da Apple pegaram as boas coisas do projeto, tanto hardware quanto software, e implementaram no II+. Surgiu assim o Apple IIe (de enhanced, aprimorado) em 1983. Passou a vir de fábrica com 64Kb de RAM, expansíveis para até 1Mb, e suporte a caracteres minúsculos(!). A RAM era expandida através de um SLOT auxiliar (na placa mãe fica do lado oposto dos demais) e ao fazê-lo você habilitava a expansão horizontal da resolução conseguindo 80 colunas em modo texto e 560 no gráfico. Com a customização de alguns circuitos a cópia ficou mais difícil, não impossível. No Brasil tanto a MICRODIGITAL (TK3000 IIe e TK3000 IIe compact) como e CCE (MC-4000 EXATO IIe — é tão raro que poucos acreditam que existiu) fabricaram modelos.

Apple //c

Em 1984, junto com o Macintosh, a Apple lançou o Apple IIc (de compacto). Basicamente ele consiste em uma versão customizada do IIe com com duas portas seriais (para modem e impressora), uma unidade de disquetes de 5,25″ de 140Kb e 128Kb de RAM (modo de 80 colunas já habilitado) encaixotados em um gabinete único e compacto (pouco maior que um notebook atual só que obviamente sem a tela). O processador foi substituído pelo 65C02 (CMOS) fabricado pela WDC mas a frequência de operação foi mantida.

Apple Enhanced //e

Em 1985 a Apple fez uma atualização no IIe com o propósito de deixá-lo mais compatível com o IIc com atualizações na ROM (hoje diríamos que o firmware foi atualizado) e também passou a utilizar nele o 65C02. Aliás, perceberam que o nome dele quer dizer Enhanced II enhanced? Talvez a equipe de marketing da Apple estivesse tão ocupada tentando vender os Macintosh que não se importaram em deixar os engenheiros dar um nome ao produto (e fazer piada de engenheiro ao mesmo tempo).

Platinum //e

Em 1986 a Apple fez uma atualização “cosmética” no gabinete, adotando o tom cinza claro característico do visual “Branca de Neve” (o Snow White foi um estilo de desenho dos produtos da Apple, muito característico nos Macintosh mas que também influenciou os desenhos do IIc e do IIGS), tornou padrão os 128Kb de RAM e acrescentou (finalmente, diriam alguns) um teclado numérico auxiliar (outros diriam que copiaram na careta o TK3000 IIe). Este modelo foi comercializado até novembro de 1993.

Apple IIc Plus

Em 1988 foi lançado o último modelo de Apple II, o IIc Plus. Nele a unidade de disquetes de 5,25″ foi substituída por uma de 3,5″ de 800Kb e esteticamente ficou mais “cara de Macintosh” com o uso de conectores mini-DIN para as portas seriais, da troca da tecla da “maçã cheia” pela Option e, claro, um gabinete na cor cinza claro. Além da fonte de alimentação totalmente embutida (o ponto mais criticado do IIc e seu “tijolo” de alimentação) e aquilo que realmente o diferencia dos demais modelos, um 65C02 rodando a 4MHz! Não necessariamente uma novidade entre os Apple II, outras empresas vendiam a solução e o que a Apple fez foi licenciar de um deles, no caso a ZipChip.

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E para finalizar, dois curiosos dispositivos foram ainda produzidos utilizando a tecnologia do Apple II. O primeiro, de 1991, foi o Apple IIe Card. Era uma placa que transformava seu Macintosh, com slot PDS, em um Apple IIe (os usuários mais radicais diriam que ela fazia um upgrade!). O objetivo era simples: fazer a substituição dos milhares de Apple II nas escolas estadunidenses. E o outro não foi bem um produto dela, ela apenas licenciou a tecnologia para que uma empresa produzisse em 2004 uma espécie de laptop infantil.

E por enquanto é só, até o próximo “post”!