Porque todo detalhe tem uma história

Quando o manu parça Sergio Vladisauskis bateu o olho na foto de placas gráficas padrão PC que publicamos faz alguns dias, ele mencionou que nunca soube para que serviam esses “terminais superiores” na VGA, e que ele tinha uma com o mesmo conector intrigante. Confesso que eu sabia tanto quanto ele.

VGA-WTFNo artigo original do Nerdly Pleasures ele dá a isso o nome de Feature Connector, mas não explica muito. Uma googlada básica trouxe mais informações. É algo que deveria servir para superimpose, placas de captura etc. mas que foi solenemente ignorado por quase todo mundo. A ideia era que uma aceleradora com processamento próprio receberia comandos para fazer efeitos e agiria diretamente lendo ou gravando a memória de vídeo sem participação da CPU, já que as placas de vídeo básicas da época não tinham inteligência nenhuma e só expunham o framebuffer.

http://www.epanorama.net/documents/pc/vga_feature.html
http://www.pcmag.com/encyclopedia/term/53804/vga-feature-connector
http://en.wikipedia.org/wiki/Feature_connector
http://www.vintage-computer.com/vcforum/archive/index.php/t-42436.html

E aí outro manu parça, Cesar Carvalho, contou uma história pessoal interessantíssima:

Há uns 15 anos eu trabalhei com um outdoor eletrônico de LEDs, que usava como player de vídeo um computador PC, na época um Pentium 200 com Windows 98. Um software player de vídeo ficava executando os vídeos de propaganda numa área bem específica da tela, e uma placa dedicada instalada num slot PCI era ligada por um ”cordão umbilical” ao feature connector da placa VGA (lembro que era uma Trident, mas não sei dizer qual era o modelo). A placa dedicada lia a memória de vídeo da placa VGA, copiava tudo o que estava numa região de 192×96 pixels, e enviava para as placas de LEDs.

As coordenadas iniciais da janela de 192×96 estavam pré-programadas na placa dedicada, e o player, que executava os vídeos dimensionados exatamente nesse formato, era posicionado na tela com 1 pixel de precisão, a fim de centralizar exatamente a imagem no outdoor. Da primeira vez que se posicionava a imagem, era só usar um vídeo com um padrão retangular, para ver se os cantos estavam certos. Uma vez posicionado, o player memorizava a posição da janela, e abria sempre no mesmo lugar.

Como a placa dedicada copiava “cegamente” aquela área de vídeo, até o splash screen, o papel de parede, janelas de edição de programas, tudo enfim que aparecesse naquela área da tela, era enviado para o outdoor de LEDs. Para evitar vazamentos indevidos de pedacinhos de desktop, era simples: as splash screens e o papel de parede eram pretos. Além disso um temporizador duplo ligava o computador pela manhã alguns minutos antes de fornecer energia ao painel de LEDs, a fim de dar tempo para o boot e estabilização. À noite, na hora de desligar, o System Agent do Windows estava programado para comandar o shutdown do computador, uns 15 minutos antes do temporizador cortar a energia de tudo.

Gambiarra_a_festa(Facebook)

4 comentários sobre “Porque todo detalhe tem uma história

  1. A Placa CREATiVE VIDEO BLASTER era uma placa ISA de captura de video que usava este conector da VGA tambem, eu tive uma em meados dos anos 90 e liguei em um 386.

  2. Os PCs dos anos 1990 não tinham velocidade para decodificar vídeo MPEG-2 por software. Assim, o único jeito de ver um DVD era comprando uma placa dedicada de descompressão de vídeo (da C-Cube, por exemplo) e ligando ela à placa VGA por este conector.

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